Nova droga contra Aids chega ao SUS em março

    Segundo especialistas, o aumento da resistência das bactérias tem relação com o excesso de medicação com antibiótico.

    Dentro e fora dos ambientes hospitalares, as infecções causadas pelo contato com bactérias podem ser tratadas com medicamentos feitos à base de substâncias antimicrobianas. Segundo especialistas, o uso indiscriminado dos antibióticos, em casos indevidos ou sem prescrição médica, gera resistência em espécies que conseguem se manter após mutações gênicas transmitidas de geração a geração.

    De acordo com o médico infectologista Ivo Castelo Branco, a automedicação é um problema associado ao avanço das infecções bacterianas. “A recomendação é usar apenas o medicamento prescrito pelo médico. Tomar antibiótico por causa de uma virose não resolve a doença. Vai matando algumas bactérias e deixando as sobreviventes mais valentes”, explica. Segundo o conselheiro regional de Farmácia do Ceará, João Holanda Neto, a administração de horários e dosagens dos produtos também é importante para conter o avanço das bactérias.

    Para Neto, são positivas as medidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2010, com a exigência de prescrição médica para venda de antibióticos em farmácias comerciais. Mesmo assim, o conselheiro orienta as pessoas a identificar se o estabelecimento tem o Certificado de Regularidade Técnica e um farmacêutico responsável. Ainda segundo Neto, deve haver um controle do uso de antibióticos também nos hospitais. “Existe a aplicação indevida em quadros não confirmados de vírus, por exemplo. Não é imprudência ou desinformação. Às vezes, é o que se pode fazer em situações emergenciais”, Combinação de duas drogas usadas para tratamento de pacientes com aids, deverá começar a ser distribuído pelo governo no próximo mês.

    O medicamento que associa tenofovir e lamivudina, combinação de duas drogas usadas para tratamento de pacientes com aids, deverá começar a ser distribuído pelo governo no próximo mês. Este é o tempo estimado para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceda o registro de produção para Farmanguinhos, laboratório público que, ao lado da empresa Blanver, vai fabricar o remédio no País.

    Combinações de medicamentos para aids são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para melhorar a adesão ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida para pacientes. Terapias para soropositivos são feitas a partir da indicação de várias drogas, prática que no passado ganhou o apelido de “coquetel”. Pacientes podem ingerir até mais de dez comprimidos diferentes por vez. “Daí a importância das associações. Elas trazem menos incômodos, tornam a vida do paciente mais prática”, afirma a infectologista Lígia Raquel Brito.

    A chegada do medicamento combinado no SUS é aguardada há tempos. “Sou questionada com frequência pelos pacientes. O anúncio do projeto criou muita expectativa entre eles”, completa. Atualmente, dos 310 mil soropositivos em tratamento do SUS, 73 mil usam em seu esquema terapêutico tenofovir e lamivudina.

    Parceria. Divulgada em 2012, a parceria para desenvolvimento da droga previa, de acordo o presidente da Blanver, Sergio Frangioni, a oferta do produto no segundo semestre do ano passado. Ele conta que a empresa depositou o pedido de registro da droga na Anvisa em outubro de 2012. A autorização foi concedida em dezembro.

    “Já há condições para produção, entrega da droga para o Ministério da Saúde. Mas não recebemos por enquanto nenhuma sinalização”, conta Frangioni. Para que isso seja feito, é preciso que Farmanguinhos também seja liberada pela Anvisa para a execução do projeto.

    “Entendemos a expectativa. Mas o desejo empresarial não pode se sobrepor à segurança e à certeza de eficácia do medicamento”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha.

    O laboratório Blanver foi responsável por desenvolver a combinação. No acordo de transferência de tecnologia, a empresa fica encarregada de, progressivamente, repassar a técnica de produção para Farmanguinhos. Em troca, a Blanver tem a garantia de que, em cinco anos, será o único a vender ao governo.

    A associação dos medicamentos foi anunciada como uma promessa de economia. A estimativa era de que o preço fosse 20% inferior ao que é pago pelo governo na aquisição de tenofovir e lamivudina, separadamente.

    O medicamento que associa tenofovir e lamivudina, combinação de duas drogas usadas para tratamento de pacientes com aids, deverá começar a ser distribuído pelo governo no próximo mês.

    Fonte: O Estado de S.Paulo 
     
    Jornalista: Lígia Formentiafirma.
     
    Fonte: Guia da Farmácia

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