Desequilíbrio em exesso

    Embora o termo seja hoje usado de forma negativa, o estresse também é bom e necessário para a sobrevivência.

    A rotina atribulada – que faz parte da vida da maioria das pessoas – abriu espaço a uma palavra comum e usa da diariamente no vocabulário: o estresse. Segundo definição do dicionário Houaiss, estresse é o estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emo cional e, ao perturbarem a homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação caracterizado pelo aumento da secreção de adrenalina, com várias con sequências sistêmicas. O diretor clínico do Hospital Alvorada Moema, Antonio Guilher me Monteiro, traduz. “Estresse é o momen to em que o organismo encontra-se em estado de alerta”, diz. Então, é exatamente o estresse que mantém a motivação em atividades importantes ou a atenção em situações de perigo, sendo extremamente positivo e essencial para a sobrevivência.

    Mas, quando o estresse acontece em qualquer ocasião, na maioria das vezes sem motivo, e até mesmo aliado a sensações de ansiedade, se torna um problema preocu pante. “O estresse passa a ser ruim quando o individuo não consegue lidar adequada mente com as situações que o deixam es tressado, gerando alterações fisiológicas e emocionais. Neste caso, o individuo pode ter queda da produtividade, cansaço, pro blemas de concentração e memória”, ex plica a responsável pelo Serviço de Psicolo gia do Hospital do Coração (HCor), Silvia Cury. “Quando contínuo e aliado à ansie dade, ele pode gerar sintomas como palpi tação, sudorese, tremores, falta de ar, dores no peito, náuseas e mal-estar abdominal”, acrescenta o médico geriatra Toshio Chiba. Outras reações também são comuns, como doenças latentes, arritmias cardíacas e até mesmo quadros depressivos.

    Se não for controlado, o estresse pode, ainda, evoluir para situações mais graves. “Quando se esgotam toda e qualquer con dição de lidar com fatores estressantes e toda energia adaptativa do indivíduo, ele pode ter problemas de hipertensão arterial, psoríase, infarto, e até morte súbita”, alerta a especialista do HCor.
     
    E, infelizmente, as estatísticas são preo cupantes. Segundo dados do ISMA Brasil, associação integrante da International Stress Management Association, 70% da popu lação economicamente ativa do Brasil sofre desse tipo de estresse. “Hoje, suas maiores causas estão relacionadas à insegurança no trabalho, temor de decisões, falta de segu rança e conflitos interpessoais”, avalia a doutora em Psicologia Clínica e presidente da entidade, Ana Maria Rossi. A especialis ta do HCor mostra outros motivos comuns.

    Os tratamentos para o estresse depen dem de cada caso e podem envolver tera pias e medicamentos. “Geralmente, o tratamento é o psicológico com terapia cognitivo-comportamental, na qual traba lhamos técnicas de enfrentamento de situ ações e como gerenciar o estresse”, exem plifica Silvia Cury, do HCor. Outros casos exigem o uso de medicamentos.

    Além disso, todo e qualquer tratamento de combate ao estresse deve estar aliado a um estilo de vida mais saudável. “Deve-se contar com uma boa alimentação, realizar exercícios físicos, ter uma boa rede de rela cionamentos e sono reparador. Para aliviar o dia a dia atribulado também é importan te adotar práticas de relaxamento”, explica a presidente do ISMA-BR. O médico Toshio Chiba fornece outras dicas.

    Homeopatia é alternativa

    Resgatar o equilíbrio do corpo. Esse é o principal objetivo dos tratamentos home opáticos, que cada vez ganham mais adep tos, tendo em vista a eficácia dos seus resultados. Portanto, ‘sensações’ de inquie­tude, nervosismo e ansiedade – que levam a um desequilíbrio do corpo e ao estresse ruim – podem ser amenizadas ou sanadas por meio de homeopatia.

    Para atingir esses resultados, o tratamento homeopático trabalha com a hipótese de que o ‘semelhante cura o semelhante’. Portanto, doses extremamente pequenas (infinitesimais) de substâncias que compõem o medicamen to homeopático são caracterizadas por pro duzirem sintomas similares aos sentidos pelo paciente. Um dos benefícios maiores da ho meopatia é que se pode tratar quaisquer tipos de doenças e em quaisquer faixas etá rias, sem contraindicações ou interações medicamentosas. O médico geriatra Toshio Chiba afirma que, por conta desses benefícios da homeopatia, ela tem sido uma ótima al ternativa de tratamento, especialmente para idosos, que muitas vezes ministram várias doses de medicamentos alopáticos ao dia. “Para evitar que meus pacientes misturem muitos medicamentos, em alguns casos uso a homeopatia, que não causa reações adver sas ou interações medicamentosas. Os resul tados têm sido bastante satisfatórios, espe cialmente naqueles que apresentam quadro de ansiedade”, conta o especialista.

    Por Kathlen Ramos
    Foto: Shutterstock

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